Para mecânicos: Diagnósticos e diagnósticos

Texto: Fernando Landulfo

A eletrônica embarcada está cada vez mais presente e sofisticada nos veículos atuais (leves e pesados): gerenciamento eletrônico do motor, gerenciamento do sistema de transmissão automática e gerenciamento de itens de conforto e segurança.

 

Mas isso é bom? Claro que é!

 

Bom para o usuário, que tem à disposição uma série de recursos. Isso sem falar na economia de combustível. Bom para o meio ambiente, devido a redução da emissão de poluentes. E para o mecânico, que tem mais “coisas” para consertar.
Pois bem, todos esses sistemas (independentes ou que se comunicam por uma rede de dados), quando necessitam de um ajuste, atualização os diagnósticos, estabelecem uma comunicação com um scanner. Essa comunicação é feita por meio de protocolos (linguagem codificada) sigilosos, que permitem acesso aos sistemas de controle do veículo.
Devido às leis de controle de emissão de poluentes, implantadas e diversos países, alguns desses protocolos, como o de gerenciamento de controle do motor OBD2, foram abertos ao público.
Isso fez com que muitos equipamentos de diagnóstico portáteis fossem criados e comercializados entre os donos de veículos. Muitos deles com interface para o telefone celular, o que torna a consulta extremamente simples e prática.

 

Mas esses dispositivos funcionam?

 

Claro que sim! As unidades de comando instaladas nos veículos, quando interpeladas com o protocolo correto, liberam as informações solicitadas. Isso ajuda muito o usuário a entender o que está havendo com o veículo. O que permite uma discussão saudável com o mecânico. Por outro lado, pode dar uma falsa impressão de conhecimento pleno do sistema analisado, gerando desconfiança, muitas vezes infundada sobre o parecer dado pelo mecânico.
É preciso entender que os protocolos liberados ao público não permitem acesso a todo o sistema de diagnóstico. Apenas o indispensável para ajuste das emissões. Muitas vezes os códigos de falha exibidos são gerados de forma indireta.
Por exemplo, as falhas de sonda lambda: o sensor apenas responde a algo que foi provocado por um defeito que ocorreu em outro componente. Por vezes, a sonda responde por defeitos mecânicos que não são monitorados pelo programa de diagnósticos do sistema de gerenciamento eletrônico do motor, que gera os códigos de falha. Resultado: um diagnóstico incompleto que pode iludir o usuário, levando o mesmo a desconfiar do “Guerreiro das Oficinas”.
É preciso lembrar que um diagnóstico é o resultado de um processo complexo, que envolve muitas variáveis: eletrônicas e mecânicas. Apenas um mecânico qualificado pode emitir esse tipo de parecer.

 

 

Além disso, o scanner profissional, por possuir um protocolo de comunicação completo, permite acessos mais profundos aos sistemas, revelando detalhes que são invisíveis aos equipamentos amadores. Isso sem falar nos ajustes e downloads que podem ser realizados nos veículos.

 

 

Mas essa preciosa ferramenta, cujo uso exige treinamento, só pode disponibilizar todo o seu potencial se estiver devidamente atualizada. E a razão é simples: as montadoras constantemente atualizam os programas de funcionamento dos veículos, assim como, os programas de diagnóstico. Isso sem falar nos protocolos de comunicação criados para veículo novos.
Ou seja, um bom diagnóstico tem como base a competência do mecânico, as suas ferramentas (no caso o scanner) e a atualização do equipamento. E cabe ao Guerreiro das Oficinas, não só se manter atualizado os seus equipamentos, como convencer os clientes de que os dispositivos de celular são bons, mas não “fazem tudo”.

 

 

 

Fonte: Revista O Mecânico.

Foto capa: Mix Auto.

revista_o_mecanico

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