Para mecânicos: Raio X – L200 Triton Sport mantém a mecânica robusta

Picape reestilizada da Mitsubishi aposta na simplicidade no reparo

Texto: Fernando Naccari
Fotos: Lucas Porto

 

Quando se fala em Mitsubishi é certo que uma das primeiras coisas que se pensa é em mecânica confiável e, quando falamos em picapes, a L200 com certeza figura em lugar cativo na lembrança de todos, principalmente pelo seu histórico nas competições de rali ao redor do mundo, o que ratifica a sua imagem de veículo pronto para qualquer desafio.

 

No entanto, o acumulado de emplacamentos até o mês de novembro de 2017, entre os comerciais leves, a L200 figura apenas na 11ª posição, com 9.112 unidades, atrás das concorrentes Toyota Hilux, (30.349 unidades), GM S10, (27.443 unidades) e Ford Ranger, (15.255 unidades). A L200 estava na frente somente da Nissan Frontier que vendeu 3.611 picapes no período.

 

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VISUAL POLÊMICO

 

A L200 sempre apelou para o ‘lado robusto da coisa’, tanto que seu visual sempre carregou características mais sóbrias, de cantos retos e plásticos sem pintura, como eram destaque nas antigas versões Savana e Outdoor. Agora, na nova geração, a aposta foi em algo um pouco mais luxuoso, mas não se tornou unanimidade entre os apaixonados pela picape.

 

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MOTOR E CÂMBIO

 

Da última geração da L200 para a atual houve uma evolução importante: o mo tor 3.2l a diesel deu lugar ao moderno
2.4l. Fabricado em alumínio, traz comando variável, 190 cv e 43,9 kgfm (eram 180 cv e 38 kgfm no motor antigo). O câmbio utilizado é um automático de cinco marchas, defasado em comparação as rivais que apostam em maior tecnologia (como o sistema de pêndulo no conversor de torque, no caso da S10) e mais marchas (como no caso da Nissan Frontier, por exemplo, que vem com sete marchas).

 

No uso, o conjunto tem bom desempenho e não decepciona. O motor trabalha em rotações baixas na cidade e na rodovia, ambas com torque suficiente para vencer as adversidades do dia a dia.

 

CONFORTO E EQUIPAMENTOS

 

No caso da Triton Sport HPE, a lista de itens de série é boa e conta com faróis bixenônio, luz diurna (DRL), retrovisores externos com rebatimento elétrico, câmera de ré, bancos em couro com ajustes elétricos, central multimídia de 7 polegadas, sensor crepuscular de chuva e faróis, ar-condicionado de duas zonas, isofix, sete airbags, controles de tração/ estabilidade e auxílio em subidas.

 

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NA OFICINA

 

A reportagem da Revista O Mecânico levou o Mitsubishi L200 Triton Sport HPE 2.4 Turbo AT para Edson Roberto de Ávila, o Mingau, mecânico e proprietário da oficina Mingau Automobilística, de Suzano/SP, que avaliou as características do veículo e suas condições de diagnóstico e reparo.

 

MOTOR

 

A pouca evolução técnica do carro quando o comparamos com sua antiga versão tem reflexo positivo para as oficinas mecânicas. “Visualmente falando, já adianto que a manutenção é tranquila e é de conhecimento de todos nós do setor”, observou Mingau.

 

O motor 2.4 tem algumas peculiaridades que, segundo Mingau, devem ser observadas pelo mecânico na hora do reparo. “A tampa de proteção do motor possui uma espuma para amortecer as vibrações do conjunto e, além dela, há outra entre os conectores dos bicos injetores que também cumprem a mesma função. Com isso, sempre que for realizar algum reparo na região, cuidado ao removê-las para que estas não sejam danificadas, pois são importantes”, disse.

 

Em um mundo cada vez mais ‘eletrônico’, Mingau se surpreendeu com o sistema de controle do turbocompressor. “O sistema é acionado por vácuo. Acredito que a Mitsubishi adotou a estratégia de “o que está ganhando, não se mexe”. Além disso, em caso de reparo em que seja necessária a remoção do componente, não há segredo”, acrescenta ele.
Destaque também para o filtro de combustível, posicionado em região de fácil acesso. “Fica dentro do cofre do motor, do lado esquerdo (tendo como referência a posição do motorista de dentro do veículo) e, em caso de manutenção, não traz qualquer dificuldade”.

 

O veículo utiliza sistema de sincronismo via corrente. Para preservar a vida útil desta, Mingau orienta: “Sua durabilidade vai depender diretamente da especificação do óleo lubrificante utilizado, neste caso, siga rigorosamente o que a Mitsubishi recomenda”.

 

O sistema de correias de acessórios não é do tipo elástica. “A mesma que controla a direção hidráulica é a que comanda a do ar-condicionado. A outra passa pela árvore de manivelas, rolamento flutuador, tensor semiautomático, bomba d’água, ventilador do sistema de arrefecimento (ventilação forçada) e alternador”, explica Mingau.

 

Para se ter acesso ao filtro de ar dentro da caixa de ar, basta soltar duas presilhas plásticas que fixam sua tampa, mas aí vale o conselho: “Nesta mesma tampa há um sensor fixado na tubulação de entrada. Antes de retirar a tampa, é bom desconectar o sensor para não danificá-lo na movimentação do conjunto”, comenta Mingau.

 

Na hora de trocar o óleo do motor e o filtro também não haverá dificuldades. “O filtro de óleo, assim como o respectivo bujão de dreno ficam em boa posição e podem ser removidos tranquilamente”.

 

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MOTOR

 

Assim como no cofre do motor, no undercar, a manutenção segue simples. Aqui também se repete o “o que é bom deve continuar”, incluindo tecnologias simples. “O diferencial dianteiro é acionado através de depressão. Não é eletrônico como de costume nos modelos 4×4 atuais”, acrescenta Mingau.

 

Na caixa de transferência a simplicidade permanece. “Ela possui acionamento eletromecânico, não eletrônico como é o mais comum. Além disso, se formos nos basear pelo tamanho da caixa de transferências, dá para se dizer que ‘ela veio dar conta do recado”, opinou Mingau.

 

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SUSPENÇÃO E DIREÇÃO

 

Os terminais de direção e pivôs tem boa fixação e, caso precise removê-los, não haverá segredos. As buchas da suspensão também são as mesmas. Os semieixos são fáceis de serem removidos, sem a necessidade de retirada do diferencial. “A única exceção é para a troca da bandeja superior. Esta fica um pouco dificultada, pois o parafuso dianteiro tem a porca interna muito próxima ao conjunto mola/amortecedor”, disse Mingau.

 

No caso a L200, por exemplo, a “polêmica” do câmber tem o martelo batido. “Neste veículo, por exemplo, há parafuso para a regulagem de câmber. É original do carro”, afirma Mingau.

 

FREIOS

 

No cofre do motor, do lado direito (tomando como referência a posição do motorista, dentro do carro), fica a central do ABS em uma posição alta e com facilidade de acesso. Mas quando descemos e observamos o sensor de roda dianteiro do ABS, vemos que ele fica exposto. Se considerarmos que é um carro que tem vocação offroad, essa exposição pode causar danos ao sensor e isso interferirá diretamenteno funcionamento do conjunto. No
entanto, na traseira, o sensor do ABS é blindado, protegido como deve ser”, disse Mingau.

 

Mingau também observou que a pinça de freio dianteira tem uma particularidade. “Só há um pistão para acionar as pastilhas. Isso não é um problema, só uma característica. Para trocar as pastilhas também não há dificuldade”.

 

Na traseira, para desacoplar o tambor e trocar as sapatas, Mingau ressalta: “não bata com um martelo. Basta colocar um parafuso de 8 mm e apertá-lo que o tambor é removido facilmente”.

 

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ELÉTRICA E ELETRÔNICA

 

É na área eletrônica que o L200 Triton Sport merece os melhores cuidados.

 

Neste aspecto, Mingau ressalta os bicos injetores. “Nestes há QR Codes que nos dizem que, caso seja necessário trocá-los, quando colocar um novo será necessário “apresentá-los” ao sistema de injeção. Só assim ele funcionará corretamente, pois do contrário terá problemas”, explica.

 

Logo atrás da turbina há as sondas lambda. “É até mais fácil trocá-las do que na maioria dos carros. Está em posição de fácil remoção e é possível fazê-los sem que seja preciso retirar outros componentes ao redor”.

 

A tomada de diagnóstico fica do lado inferior esquerdo do painel do veículo e, no teste da oficina, comunicou perfeitamente as informações do carro com o scanner. “Ao conectar o aparelho houve leitura pelo equipamento e este retornou com as informações adequadas, como rotação do motor (rpm), pressão de combustível real (MPa), temperatura do arrefecimento (ºC), temperatura do combustível (ºC), hodômetro (km) e diagnósticos de falha.

 

Bom sinal! Caso um carro deste chegue à sua oficina você não será surpreendido”, finaliza Mingau.

 

Ficha técnica

MITSUBISHI L200 TRITON SPORT
Motor
Posição: Dianteiro, Longitudinal
Cilindros: 4 em linha
Válvulas: 16V
Taxa de compressão: 15,5:1
Injeção de combustível: Injeção eletrônica multiponto common-rail
Potência: 190 cv a 3500 rpm
Torque: 43,9 kgfm a 2500 rpm 

Câmbio
Automático de cinco marchas

 

Freios
Dianteira: Disco ventilado
Traseiros: Tambor

 

Direção
Assistência Hidráulica

 

Suspensões
Dianteira: Independente, braços sobrepostos
Traseira: Eixo rígido

 

Rodas e Pneu
Rodas: Liga leve, 16 polegadas
Pneus:265/70 R16

 

Dimensões
Comprimento (mm):5280
Largura (mm):1815
Altura (mm):1795
Distância entre eixos (mm): 3000

 

Capacidades
Porta-malas: 1046 litros
Caçamba: 70 litros

 

Fonte: Revista O Mecânico.

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